Buscando a simplicidade

A modernidade nos trouxe bastante coisa interessantes e boas para nossas vidas.  Nossa média de expectativa de vida deu um salto ( creio que seja de 60 anos atualmente).  Nos comunicamos com a velocidade da luz, a informações não tem mais donos, temos a internet onde um universo de conhecimento está disponível, temos os computadores, as máquinas, etc.

Quando criança me lembro bem de ter várias filmes, desenhos, séries e etc sobre como seria a vida do futuro. Pondo de lado as roupas ridículas e os “discos voadores como transporte”, nós até que ultrapassamos as expectativas. Nossas casas estão automatizadas: ninguém mais lava roupa na mão; temos máquinas para lavar louças, máquinas para limpar o chão (até robos autônomos), televisões de leds ou plasma, lampadas super economicas, smartfones, etc.

A vida se tornou confortável. Na saúde os avanços foram tremendos: curas para muitas doenças, equipamentos que são capazes de nos ver por dentro sem cortes ou radioatividade.  Remédios que prolongam a vida e a sexualidade. Somos “felizes”, não.

Apesar de tudo isso parece que nunca, como antes, tivemos tão pouco tempo para fazer as coisas. Como todas as pessoas que conversa, ninguém foi capaz de ter um tempo para trocarmos “dois dedos de prosa”.  Ninguém mais tem disponibilidade para ler, sentar e admirar algo, ir na praça, caminhar (a não ser para se exercitar e mesmo assim aproveitando para ouvir as notícias no rádio ou um podcast). Fato é que estamos tão ocupados que não temos tempo para viver.

Sobrevivemos as nossas jornadas. Sobrevivemos aos nossos dias super ocupados: nunca trabalhamos tanto.  Hoje é normal fazer hora extra.

Lembro do meu avô me contando de seu tempo em que tinha hora para chegar mas tinha hora para sair. Nem por isso o mundo parou ou alguém deixou de viver.  As pessoas tinham tanto comprometimento quanto hoje.  Muitos afirmam que eram anos dourados.

O que mais vejo é gente correndo. Porque? Hoje temos máquinas que fazem o dobro em metade do tempo? Porque se hoje temos os computadores que fazem contas milhões de vezes mais rápido que nós?  Taí uma contradição para mim.

Fomos capazes de criar coisas para facilitar mais ainda nos falta tempo para fazer tudo que “precisamos”. Tudo é para ontem. Culpa das malditas máquinas… mas opa … elas eram para nos salvar.

De novo coloco a culpa em nossa ganância. Podemos fazer muito mais em menos tempo que antes, logo podemos ter mais.  Só que quem tem mais são poucos. O restante trabalha muito mais.  Nunca a riqueza esteve tão concentrada.

Acredito que precisamos a ter mais simplicidade em nossas vidas.  Reduzir nossa velocidade. Caminhar ao invés de correr. Apreciar mais a paisagem da vida. Vivemos mais, porém vivemos pior que nossos ancestrais.

Não sou a favor de vivermos como homens da caverna, sou a favor, de sermos simples. Porque essa correria? Porque tudo é para ontem? Porque não reduzir, se contentar com menos? Ficar com o necessária?

Precisamos voltar e nos acharmos no caminho. Voltar a buscar mais tranqüilidade.

Generosidade

Por esse dias estava lendo meus emails e twitter . Não me lembro bem de qual dos dois recebi o link, mas o fato é que recebi um link para um vídeo sensacional de uma palestra no evento TED.  Nessa palestra o autor fala de Generosidade e num exercício que ele fez: durante 30 dias dizer para todos que o pedissem ajuda.

Ainda segundo o autor, a ignição de tudo isso, foi quando resolveu prestar atenção em sua rotina de ir e voltar do trabalho. Num dia, uma pessoa o abordou e pediu dinheiro. Meu que de forma automática a sua resposta foi NÃO.  Mas algo no seu íntimo o fez revisitar aquela situação e se sentiu como se naquele momento, aquele NÃO, não foi a melhor escolha.

Passado isso, postou em eu blog, o desafio de em 30 dias apenas dizer sim.  A viagem da experiência foi ótimo e em sua palestra ele mostra como foi transformador. Além disso, também mostra que polarizamos nossa sociedade em apenas filantropia ou ” ganhar dinheiro”. Sendo que, no meio dos dois pontos, existe algo intermediário que aos poucos vem sendo experimentando em vários locais do mundo.

Ser generoso não significa que a partir desse momento você deva dar tudo que tem para qualquer pessoa, ou simplesmente sair as ruas esquecendo de si. Significa desligar o automático do cotidiano e analisar cada caso com amor e paciência. Nem todos os mendigos são alcolatras. Nem todos que pedem são vagabundos. Muitos são pessoas realmente necessitadas que precisam de ajuda e muitas vezes, de atenção.

Lembro de uma vez que resolvi junto com amigos ajudar a um lar. Nesse lar haviam garotos que eram órfãos ou não podiam mais conviver com suas famílias.  Todos traziam muita dor e marcar físicas e psicológicas de suas vidas mas me pareciam que ali estavam conseguindo sair desse ciclo de fabricação de loucos/violencia.  Bem, voltando, ao chegar lá formos surpreendidos pois os meninos deram mais importância a nossa presença do que aos  brinquedos e chocolates que e levamos. A sua verdadeira carência era de atenção, carinho e amor.

Pense que existem muitas pessoas que nesse momento precisam que seja generoso. Generoso com seu tempo. Por que não reservar parte do seu precioso dia para escrever, ajudar, ouvir alguém, etc.  Como o palestrante disse é transformador. Você se sente melhor.

Para que os ficaram curiosos o vídeo segue abaixo. Espero que gostem e comentem.

 


 

São tomás Aqui e o Agape

Nesse último mês li o livro do Padre Marcelo Rossi. Embora não seja um grande religioso, nem pratique nenhuma religião algumas vezes gosto de ler alguns textos (e livros, artigos, poemas, etc)  desse tipo de conteúdo.  Em especial gosto do Padre Marcelo, pois mesmo sendo um padre e um defensor da Igreja Católica, ele sempre me passou uma mensagem mais ampla e menos dogmática ligada ao amor. Eu, pessoalmente, acredito que o amor  – fraterno e puro – seja a chave para resolver grande parte de nossas mazelas. Antes que eu me esqueça, o livro é o Ágape da editora Globo.

Esse livro é basedo nos textos do Evangelho de São João. Gosto dessa parte da bíblia, pois sempre me pareceu os textos mais vívidos em referência dos demais ( sim, eu li a bíblia e outros livros sagrados. Recomendo).  Num dos capítulos do livro, o autor nos traz um poemoa escrito por São  Tomás Aquino. Irei transcreve um trecho abaixo:

Que eu chegue a Ti, Senhor

por um caminho seguro e reto;

caminho que não se desvie

nem na prosperidade nem na adversidade,

de tal form que eu Te dê graças

nas horas prósperas e nas adversas,

conserve a paciência,

não me deixando exaltar pelas primeiras

nem abater pelas outras.

 

Que nada me alegre ou me entristeça,

exceto o que me conduza a Ti

ou que de Ti me separe

 

Que eu não deseje agradar

nem receie desagradar senão a Ti

Tudo que passa torne-se desprezível

a meus olhos

por Tua causa, Senhor;

e tudo o que Te diz respeito me seja caro,

mas Tu, meu Deus, mais do que o resto.

O restante do texto deixo para que procurem no google. Mas essa pequena parte já mostra devoção do santo a Deus. Entretanto, se isso já não fosse o suficiente, existe uma mensagem linda de abnegação e busca da humildade, essas sim, são coisas a ficarem retidas em nossa mentes independente de religião.

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